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A vontade é a energia, a potência, a atividade da força inteligenciada em ação, agindo, operando; a capacidade de reagir e opor reação; não só ao mundo externo, repelindo, anulando sua influência, seus efeitos, pela produção de outros em contraposição àqueles; mas também, e principalmente às solicitações íntimas, quer às que nascem dos instintos e apetites quer às que provêm das necessidades corporais.
A vontade é a potência biomagnética
inteligenciada; ela é na essência a polarização, pois que é no fundo um
impulso, em última análise, um movimento. Ela já se manifesta nos animais os
mais inferiores; porquanto certos fenômenos da nutrição — a procura e a
apreensão dos alimentos — se não efetuariam sem a sua intervenção.
A vontade evolui na série animal; a
princípio é um simples movimento reflexo, semelhante à distensão de uma mola;
depois, um impulso instintivo, verdadeira descarga elétrica; afinal, um ato
refletido, consciente, livre; ao qual precede: a apreciação das circunstâncias,
análise das condições, deliberação e decisão.
Confunde-se ordinariamente a vontade
com o desejo e o apetite; e essa confusão, que se nota com frequência no trato
vulgar, observa-se também, não só na conversação de pessoas instruídas, mas
igualmente o que é menos tolerável, até em produções de literatos e homens de
ciência; assim se diz e escreve-se tenho vontade de dormir, de chorar, de
comer, etc., quisera vê-la, quero falar-te; tenho vontade de sonhar com ela;
tenho vontade, mas não posso satisfazer tal necessidade corporal.
O emprego do vocábulo — vontade — é
errôneo em todas essas frases; e nem só incorreto, mas antagônico.
A vontade se manifesta, ao contrário, no ato de oposição ou resistência à satisfação de um desejo; na insubmissão às solicitações tanto orgânicas como psíquicas. Isso sim, é ter vontade.
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A vontade se manifesta, ao contrário, no ato de oposição ou resistência à satisfação de um desejo; na insubmissão às solicitações tanto orgânicas como psíquicas. Isso sim, é ter vontade.
Ter vontade é ser forte, saber
resistir a todas as tentações; quer mundanas — materiais e sociais, quer
anímicas.
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Aqui, a oficina intelectual trabalha com todos os seus instrumentos, alumiada, esclarecida pela razão; depois o tribunal supremo, a consciência moral delibera, julga em última instância, e lavra a sentença — absolutória ou condenatória; o livre arbítrio decide pró ou contra; a vontade executa.
O poder executivo é, na organização social, o símile da vontade no ser humano.
A vontade
Por Dr. Antônio Pinheiro Guedes
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